Ebola: recursos milionários roubados na epidemia.

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Ebola: recursos milionários roubados na epidemia.

Mensagem por Cimberley Cáspio em Qui 1 Fev - 21:24

EBOLA: FUNCIONÁRIOS DA CRUZ VERMELHA E GOVERNO ROUBARAM RECURSOS MILIONÁRIOS.


Por Deutsche Welle - reproduzido e editado p/ Cimberley Cáspio

Trabalhadores da Cruz Vermelha e outras instituições terão desviado mais de seis milhões de dólares destinados ao combate à epidemia que fustigou  Serra Leoa,  Libéria e a Guiné-Conacri.

As revelações seguem-se a uma investigação interna na Cruz Vermelha sobre como os fundos disponíveis foram utilizados durante a epidemia de 2014 a 2016, que matou mais de 11 mil pessoas na Serra Leoa, Libéria e Guiné-Conacri.

A doença eclodiu na Guiné-Conacri, alastrando rapidamente para Serra Leoa e  Libéria. No início da epidemia, a resposta da ajuda internacional foi lenta. Entretanto, à chegada aos países afetados, o dinheiro era rapidamente destinado à compra de material médico e ao pagamento de trabalhadores no local.

Cerca de dois milhões de dólares desapareceram como resultado de um alegado "conluio” entre funcionários da Cruz Vermelha e do Banco de Serra Leoa, apontam as investigações.

"Sinto-me decepcionado e preocupado com a reação de alguns indivíduos cujas ações prejudicam o incrível trabalho da equipe e dos voluntários da Cruz Vermelha durante o surto do ebola", disse Paul Jenkins, chefe da delegação da Federação Internacional da Cruz Vermelha e das Sociedades do Crescente Vermelho (IFRC) na capital de Serra Leoa, Freetown.


Reforçar o combate à corrupção

Centro de ajuda a pessoas infectadas pelo vírus ebola na Libéria.
 
"As ações deles salvaram milhares de vidas e a IFRC continuará a garantir que os seus fundos sejam utilizados para os fins a que são destinados", acrescentou Jenkins.

A IFRC garante que está a reforçar a luta contra a corrupção - incluindo a introdução de limites de gastos em "ambientes de alto risco". A Federação planeja também enviar auditores treinados juntamente com as equipes de emergência.

Outras medidas incluirão o treino adicional de pessoal e a "investigação interna dedicada e independente". Os resultados da investigação interna foram publicados pela primeira vez em 20 de outubro. Entretanto, não foram amplamente divulgados até (03.11). A IFRC confirmou as conclusões neste sábado (04.11) e disse estar  trabalhando com a Comissão Anticorrupção de Serra Leoa para "investigar e punir os envolvidos".


Demais países

A organização também revelou indícios de fraude nos dois outros países mais atingidos durante a crise do ebola.

Na Libéria, investigadores descobriram "provas de fraude relacionadas com preços superfaturados de material de ajuda humanitária, ordenados e pagamento de incentivos aos voluntários". A IFRC estima perdas em torno dos 2,7 milhões de dólares.Na Guiné-Conacri, pelo menos um milhão de dólares desapareceu em função de práticas fraudulentas. Duas outras investigações estão pendentes, informou a IFRC.
 
Por outro lado, vítimas da epidemia que causou quase 4 mil mortes no país entraram com um processo no Tribunal de Justiça da CEDEAO, em que acusam o Governo de negligência, má administração e desvio de verbas destinadas à crise.

O processo, que foi apresentado em (15.12) pela ONG Centro de Responsabilidade e Estado de Direito de Serra Leoa e por dois sobreviventes da epidemia do ebola, onde afirmam que o Governo "violou o direito dos seus cidadãos à vida e à saúde", ao fazer uma má administração dos fundos destinados a combater a doença, segundo a imprensa local.

Uma investigação realizada pelo Auditor Geral de Serra Leoa descobriu que faltavam cerca de 14 milhões de dólares dos fundos destinados ao combate ao ebola entre 2014 e 2015.

O processo aponta que o Governo violou o direito à vida dos seus cidadãos ao não cumprir com os controles oportunos de contabilidade e aquisição que levaram à perda de um terço dos recursos disponíveis e, portanto, foi responsável por um maior número de mortes.

"Vários médicos, enfermeiros e auxiliares morreram em vão, já que o dinheiro destinado a comprar roupas protetoras desapareceu nas contas bancárias pessoais de funcionários do Governo e empresas privadas", denuncia a ONG.

Equipe de combate ao ebola na Serra Leoa, em outubro de 2014
 
A má administração dos fundos diminuiu os recursos humanos e físicos necessários para fazer frente à epidemia, incluindo a falta de equipes de saúde, ambulâncias, provisões médicas básicas e apoio clínico e psicológico posterior.

Em fevereiro de 2015, o Auditor Geral divulgou um relatório no qual mostrava que 30% dos recursos de resposta ao ebola administrados pelo Ministério da Saúde durante os cinco meses posteriores ao surto da doença não foram totalmente justificados. "Nos últimos três anos, os habitantes de Serra Leoa exigiram reiteradamente prestação de contas e justiça pela má gestão dos fundos de resposta ao ebola, mas as suas exigências foram por água abaixo", disse o diretor da ONG, Ibrahim Tommy.

Se o processo apresentado for em frente, será a primeira vez que o Tribunal da CEDEAO, com jurisdição em direitos humanos, julga uma relação entre a má administração de recursos públicos e a violação dos direitos humanos.
Serra Leoa foi declarada livre do ebola em janeiro de 2016, após ter sofrido uma epidemia com 14.124 casos confirmados e 3.956 mortes, e que também deixou 12 mil menores órfãos.

Link : http://www.dw.com/pt-002/seis-milh%C3%B5es-de-d%C3%B3lares-destinados-%C3%A0-luta-contra-o-%C3%A9bola-desviados-em-fraude/a-41238354 ------
http://www.dw.com/pt-002/v%C3%ADtimas-do-%C3%A9bola-processam-governo-da-serra-leoa-por-neglig%C3%AAncia/a-41822795
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